" Mesmo as épocas de opressão são dignas de respeito, pois são obras, não dos homens, mas da humanidade, e portanto da natureza criadora, que pode ser dura, mas nunca é absurda.

Se a época que vivemos é dura, temos o dever de amá-la ainda mais, de penetrá-la com nosso amor, até que tenhamos afastado as enormes montanhas que dissimulam a luz que há para alem delas."

do prefácio de " O despertar dos mágicos"

terça-feira, 26 de julho de 2011

Parte III: Quando as Máscaras caem..

Link da Parte I e Parte II


O palco é nossa própria mente: inquieta constantemente, falando, coerente, analisando, pensando no futuro e passado. Interessante perceber nosso medo da instabilidade: quando qualquer coisa é incoerente, tal fato nos abala fortemente, ficamos tensos e aguniados, buscando explicações: por que ela fez isso? Por que isso ocorreu? Quem sou eu? A mente, por um momento, trava. Dá um curto-circuito psicológico, não faz sentido, não há explicação coerente. 




Assim, vivemos evitando essas questões existenciais incoerentes que, curiosamente, são cruciais: quem sou eu? De onde vim? O que é a existência?  Deus existe? Ou as evitamos ou as respondemos prontamente, com nossa opinião formada sobre tudo. Os intelectuais tentam respondê-las com argumentos lógicos, certos, indubitáveis.
 


“Sabe qual é a diferença entre um sábio negro e um branco? 
A sabedoria do sábio branco mede-se pela rapidez com que se responde. Entre nós o mais sábio é aquele que mais demora a responder. Alguns são tão sábios que nunca respondem.”  
Trecho de "O último vôo do flamingo" – Mia couto.


“O maior obstáculo ao avanço do pensamento humano é quebrar a sua própria doutrinação”

São perguntas que não podem ser entendidas porque a mente não as processa. É tudo muito simples, direto, transitório e dinâmico. É o momento. A mente apenas responde ao que é estático, ao que não existe – passado e futuro-, ao que pode ser dividido e analisado em partes, ao que tem causa e efeito, raciocínios lógicos. Mas as coisas são demasiadas simples para serem entendidas, tão simples que não se entendem, pois elas estão tão próximas e presentes que o que resta é ser. Mas nunca estamos presentes, em parado ou em movimento, estamos sempre em outro lugar: pensamos no trabalho de amanhã, no que faremos à tarde, nas férias do mês que vem, na festa da última sexta...Não dá pra pensar no presente porque pensar necessita de tempo: pensar antes de agir. 

Mas e o presente? O presente é o abandono sobre o palco, a espontaneidade, o não-pensar. A questão não é suprimir a mente, pois ela rebela-se, mas saber que ela existe e ir além dela: estar atento e consciente.

Simplesmente porque a mente é ofuscada, por poucos segundos, todo o palco para. O aspecto nebuloso e escuro do palco, de repente, é iluminado fortemente. E aparentamos cegos no início, a luz é muito intensa devido a tanto tempo na reclusão. É nesse instante que a máscara cai e cobrimos o rosto. Logo, pois, fugimos de volta pra caverna. É preferível viver na comodidade e ignorância.
Se apenas ficássemos um pouco mais...



 A vida é um abismo. Andamos sobre as nuvens, criamos a rigidez sobre a fragilidade, e mal vemos o céu ao nosso lado. Tais nuvens são nossas máscaras e cenas. No momento em que botamos tudo sobre uma crença, relacionamento, situação, corremos o risco de cair. E fazemos de tudo para evitar a queda, mas a queda é inevitável. E ela quando ocorre, quando a incoerência nos abala, caímos de vez. Desesperados, pois, tentamos nos apegar ao que vier pela frente, ao que nos alivie a tensão, e colocamos a próxima máscara com ainda mais insistência. Ao deixar cair a máscara, ao cair no abismo, recusamos olhar para dentro, sentir o vazio e negamos a mais pura liberdade: voar. 

No abismo não há chão ou solidez, percebemo-nos o próprio vazio e, por sermos nada, ocupamos o todo, podemos ser tudo sem medo do fracasso ou da falha.

O problema é quando não nos percebemos nessa ficção e, portanto, sofremos: ignoramos a transitoriedade e repreendemos as outras possibilidades. Sofremos com raiva e ódio, movemo-nos pela insatisfação.
A questão está na estrutura interior, o nosso exterior reflete o estado interno: se estamos aflitos, vamos transparecer assim.

Enquanto colocarmos tudo sobre o exterior, sobre o que é mutável e incosistente, vamos sofrer com as conseqüências. A plenitude pode ser alcançada independente de estar casado ou solteiro, com filhos ou não, com um apartamento de 600 mil ou não..


A consciência libera infinitas possibilidades, a peça liberta-se de definições e abre espaço ao espontâneo, não é necessário apegar-se ao inócuo. Livres de nós mesmos, a culpa ou arrependimentos não são necessários. Conscientes de que é uma peça, ela ressignifica a realidade, mas é apenas uma peça. Não há mais roteiros, só você e o espaço.
 




    "No fim, tudo é uma piada"

 
Uma piada cósmica, um sonhar contínuo, uma tolice universal. Ser ridículo e espontâneo são a mesma face, então ria, pois rir é inconsistente, é tolo, é ser livre.

Às vezes esquecemos que somos apenas crianças crescidas.


"So don't worry about a thing, cause every little thing is gonna be alright.."

It's just a ride...


                                                    
- Continua..

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