" Mesmo as épocas de opressão são dignas de respeito, pois são obras, não dos homens, mas da humanidade, e portanto da natureza criadora, que pode ser dura, mas nunca é absurda.

Se a época que vivemos é dura, temos o dever de amá-la ainda mais, de penetrá-la com nosso amor, até que tenhamos afastado as enormes montanhas que dissimulam a luz que há para alem delas."

do prefácio de " O despertar dos mágicos"

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Sonho de Minguante


Quem dera ter nascido da lua.
Ser um corpo celeste – talvez com
Limiares de cristais de gelo
Submerso no
                     vácuo.  

Quem dera nascer da lua
Não de uma formosa lua, perfeita em forma e irredutível
Mas daquela que é torta de riso, que se embaraça pelas marés 

Não a onipotente e grandiosa a nos consumir de exuberância
Mas a que nasce do horizonte, vermelha e tímida - num suave caminhar

Não a glamorosa que domina todo o céu – sozinha.
Mas aquela que se dissolve pelas nuvens - como uma densa névoa

Talvez não a musa de desventurados da madrugada,
Nem a arena de São José

Minguante como um sonho,
com uma beira em que possa me encostar e pescar 
                                                                                                  cadentes,
mergulhar em um arco-íris hiperestelar

como uma canoa.
orbitar pelas saudades, pelas auras de amores –
sob elipses de rancor.
                   ouvir os ecos do sonhar -


e de lá de cima, admiraria a vida terrena – 
aos olhares com sede de amar
contemplaria seu abismo.

 E nada diria.      

          – apenas que
           Desejaria ser um homem –
e brotar dos ventres da Terra, libertar-me das entranhas da carne  – e gritar. E ser.
Milagre.

Mas apenas sonharia – no fim:
Deitar-me-ia em uma frígida
                                                       penumbra.

domingo, 27 de novembro de 2011

Procura-se



Fugi de mim.
cansei-me, fui-me embora.

de agora pertenço aos ventos
e às marés de outono,
dos ardores da terra me nutro
e de seu ventre, renascerei - de homem a flor.
                                          miúda, ingênua: viva
                                          raízes tenras e olhar ao céu.
  .....  
a dureza humana ao passar me enfraquece
que há de vida em uma noite sem luar?
.....
                                                                         pois repito: fugi
                                                                         não foi repentina nem a vozes de clamor,
                                                                         foi rasteira, aos ticos.
                                                                         triz por triz - pois digo: estarei em ti .?
Eis que percebo:
um enjoo de dizer,
.minha falta me sufoca.  
                             - espero me encontrar logo.
Divago pelas ruas.. pelas esquinas de sábado.
       ... talvez esteja numa terça.. à tarde.
       Ouvi dizer que estava na chuva – de outros, pelos campos.  
 pasárgada, quem sabe?

Sem sombras, o fato é que sumi.
                          de um repente, nem pé de mim.

Esteja eu
Talvez por aqui, na beira de uma linha torta.
 às vezes tropeço pelos versos ou numa rima.
                                                      Imposta.
...
na beira de uma viela qualquer, pelas calçadas
aconcheguei-me a olhar 
A travessa se chama tempo
e ali, num canto do viver
                                                  deitava no passado.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Apenas


Ei, posso ficar aqui? Só pra te olhar?

Estou só de passagem, juro que não vou incomodar.
Não vou te atrapalhar nem te abusar, pode ficar tranquila.
É coisa simples, pode parecer estranho, mas não se preocupe,
é só meu jeito.
Por quê? Ah, não sei direito, foi assim de repente. 
Perdão, sou um pouco confuso, nunca fui bom com palavras.
Pois é, nem eu entendo.

Ei, engraçado, agora não quero mais sair daqui. 
Acho que preciso de ajuda, me dá sua mão?
Desculpa o incoveniente, mesmo.
Frio? Também ainda não me acostumei. Pronto, ficou melhor?

A vida às vezes é meio fria mesmo, parece que tudo fica vago e distante,
meio nebuloso, mas paciência. Dizem que é preciso ter fogo, coragem
e vigor pra viver, mas às vezes uma chama amena também cai bem.
É que sabe, sou imaturo e infantil ainda. Não sei das coisas do tal do mundo,
dos homens ou de escolhas, mal sei do que sei...

A vida é estranha, às vezes nos faz como folha ao vento,
rodopia a gente por aí, é incoerente e incerta.
De outras, é impassível e concreta, como um alpe denso e imponente..

...Hoje ela parece com essa chuva, toca a gente de leve que parece miúda,
mas é só senti-la, nos traços de arh, que ela nos consome. serena.
                                                                                                                                   aguda.


Calma, logo passa. Fica do meu lado.
...Olha, tá ficando tarde, mas achei um bom lugar.
Segura minha mão, vem comigo. Aonde?  Aqui.
                                                                                              Dentro de ti.



terça-feira, 26 de julho de 2011

Parte IV - Final : Além do Palco...


O foco é a percepção.

O estado de inquetude interna nos distancia tanto de nós mesmos, quanto mais dos outros. Estamos tão fora do real, que temos que fingir quase que o tempo todo. Não podemos sentir raiva em certos momentos, em outros não podemos sorrir – sempre sob restrições. Mas se nem a raiva é verdadeira, como fica a felicidade?

Parte III: Quando as Máscaras caem..

Link da Parte I e Parte II


O palco é nossa própria mente: inquieta constantemente, falando, coerente, analisando, pensando no futuro e passado. Interessante perceber nosso medo da instabilidade: quando qualquer coisa é incoerente, tal fato nos abala fortemente, ficamos tensos e aguniados, buscando explicações: por que ela fez isso? Por que isso ocorreu? Quem sou eu? A mente, por um momento, trava. Dá um curto-circuito psicológico, não faz sentido, não há explicação coerente. 

Parte II : Montando o Cenário...


Link da Parte I

Ao nascermos, saímos de uma situação aconchegante e cômoda. A saída do bem-estar do útero materno causa um distúrbio enorme, é preciso respirar sozinho, olhar, sentir: uma nova onda de sensações aflora. Nascer dói. E logo buscamos o aconchego de novo, as mães continuam a nos amparar por um bom tempo, ainda é cedo para sairmos sozinhos por aí.


Essa relação do “trauma do nascer” – ou “cicatriz umbilical psicológica”, para alguns autores- , a qual busca atenuar a situação de desamparo , vai sustentar-se pelo resto da vida, caso deixemos. Um exemplo comum é que quando somos forçados a deixar o peito da mãe, tal sensação transfere-se para situações semelhantes a esse momento: passamos à mamadeira, dedo, pirulito, cigarro...Inicia-se a angústia existencial...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Parte I: Subindo no Palco.

Instantes antes da estréia.

Agunia, tensão, nervosismo, alegria, expectativa, concentração: caldeirão de emoções ainda nos bastidores. Hora de subir no palco. O que nos espera, o que esperam de nós?

Ensaios, suor, treinos constantes, tudo em busca de um objetivo: o momento no palco. Passado, futuro, que importam agora? As cortinam abrem-se, o brilho da luz nos olhos, a platéia é ofuscada, silêncio.

Hesitação.  

                          Voo.




terça-feira, 12 de julho de 2011

Recado às Mulheres e um Apelo aos Homens


Às mulheres meu muito obrigado: 

Obrigado por nos mostrar nossas fraquezas e inseguranças, por nos tornar vulneráveis, por abalar nossos maiores medo, por acordar-nos do estável e medíocre. Sendo ora tempestade violenta ora brisa suave, vocês, mulheres, abrem nosso peito a tornados, desafiam nossa firmeza e convicções. Assim, ensinam-nos a permanecer e a lutar pelo que acreditamos. Sobretudo, obrigado por nos lembrar do que realmente somos: livres.


A mulher não se resume a seu corpo, mas a todo seu entorno: sua atmosfera, atitudes, jeitos e bocas. Às vezes é como uma neblina, nega a previsibilidade, mas está em todo lugar. Não se resume a uma face, mas a múltiplas formas. Por não ser estática, é o que pode ser e vice-versa.



Sim, nós, meros homens, precisamos nos deleitar sobre sua existência.  Pra ser mais claro: não, não vivemos por vocês, mas através de vocês.