" Mesmo as épocas de opressão são dignas de respeito, pois são obras, não dos homens, mas da humanidade, e portanto da natureza criadora, que pode ser dura, mas nunca é absurda.

Se a época que vivemos é dura, temos o dever de amá-la ainda mais, de penetrá-la com nosso amor, até que tenhamos afastado as enormes montanhas que dissimulam a luz que há para alem delas."

do prefácio de " O despertar dos mágicos"

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Sonho de Minguante


Quem dera ter nascido da lua.
Ser um corpo celeste – talvez com
Limiares de cristais de gelo
Submerso no
                     vácuo.  

Quem dera nascer da lua
Não de uma formosa lua, perfeita em forma e irredutível
Mas daquela que é torta de riso, que se embaraça pelas marés 

Não a onipotente e grandiosa a nos consumir de exuberância
Mas a que nasce do horizonte, vermelha e tímida - num suave caminhar

Não a glamorosa que domina todo o céu – sozinha.
Mas aquela que se dissolve pelas nuvens - como uma densa névoa

Talvez não a musa de desventurados da madrugada,
Nem a arena de São José

Minguante como um sonho,
com uma beira em que possa me encostar e pescar 
                                                                                                  cadentes,
mergulhar em um arco-íris hiperestelar

como uma canoa.
orbitar pelas saudades, pelas auras de amores –
sob elipses de rancor.
                   ouvir os ecos do sonhar -


e de lá de cima, admiraria a vida terrena – 
aos olhares com sede de amar
contemplaria seu abismo.

 E nada diria.      

          – apenas que
           Desejaria ser um homem –
e brotar dos ventres da Terra, libertar-me das entranhas da carne  – e gritar. E ser.
Milagre.

Mas apenas sonharia – no fim:
Deitar-me-ia em uma frígida
                                                       penumbra.