
Quem dera
ter nascido da lua.
Ser um corpo
celeste – talvez com
Limiares de cristais de gelo
Submerso no
vácuo.
Quem dera
nascer da lua
Não de uma
formosa lua, perfeita em forma e irredutível
Mas daquela
que é torta de riso, que se embaraça pelas marés
Não a
onipotente e grandiosa a nos consumir de exuberância
Mas a que
nasce do horizonte, vermelha e tímida - num suave caminhar
Não a
glamorosa que domina todo o céu – sozinha.
Mas aquela
que se dissolve pelas nuvens - como uma densa névoa
Talvez não a
musa de desventurados da madrugada,
Nem a arena
de São José
Minguante
como um sonho,
com uma
beira em que possa me encostar e pescar
cadentes,
mergulhar em
um arco-íris hiperestelar
como uma canoa.
orbitar
pelas saudades, pelas auras de amores –
sob elipses
de rancor.
ouvir os ecos do sonhar -
e de lá de
cima, admiraria a vida terrena –
aos
olhares com sede de amar
contemplaria
seu abismo.
E nada diria.
– apenas que
Desejaria ser um homem –
e brotar dos
ventres da Terra, libertar-me das entranhas da carne – e gritar. E ser.
Milagre.
Mas apenas
sonharia – no fim:
Deitar-me-ia
em uma frígida
penumbra.